terça-feira, 24 de maio de 2011

Integrar a cozinha à sala? Será?

A cozinha da sua casa é um ambiente social ou de serviço?
Estou desenvolvendo mais um projeto de reforma para um apartamento onde os clientes não tem tanta certeza se devem ou não decidir pela cozinha integrada à área social. É realmente um conflito pertinente visto que muitas vezes a cozinha pode ser o ambiente mais dinâmico e movimentado de uma casa. O desejo de receber amigos desde a cozinha deve ser confrontado com o dia a dia da família e como esta disposição interfere na manutenção da casa.
Depende muito do estilo de vida e do tipo de moradia. Numa casa enorme onde a família tenha muitos empregados e a cozinha realmente for um ambiente de serviço, pode-se até concluir que não tem sentido nenhum integrar estes espaços. Mas para a maioria das famílias jovens que mora em apartamentos ou casas pequenas, pode ser uma forma interessante de vivenciar um outro conceito de morar.
A idéia original de abrigo desde sempre teve o fogo como centro e todas as outras atividades aconteciam no entorno. Muito bacana reunir amigos em torno de uma fogueira, como uma celebração à vida e ao momento feliz. O conceito de casa em torno da cozinha segue um pouco esse sentido.

Nesta casa, apenas o piso de granito delimita o espaço da cozinha.
A mesa de madeira é móvel e acompanha o estilo do piso de tacão de ipê
do resto da casa. Projeto de Camilo Gazzinelli e Álvaro Drummond.
Por menos que se tenha pretendido dar à cozinha status de ambiente social ela é o coração da casa da maioria das famílias, pois é onde acontece o sagrado preparo dos alimentos e muitas vezes onde se compartilha as refeições entre as pessoas da família no dia a dia. Como dizer que seja um ambiente de serviço, termo normalmente utilizado na setorização dos ambientes em projetos de arquitetura?

A primeira coisa que as pessoas pensam é que a cozinha integrada tem que estar sempre como foto de revista para fazer parte do restante da casa. Claro que bagunça não é interessante em lugar nenhum, mas eu particularmente penso que casa é para ser usada e não existe como usar, ficar à vontade, numa foto de revista. Desde que o projeto seja bem elaborado e o resultado for estética e funcionalmente bem resolvido, não há nada feio em visualizar um ambiente sendo utilizado, o que é bem diferente de um ambiente bagunçado.

Imagine-se recebendo amigos no seu apartamento ou casa. A idéia de você servir os petiscos, preparar um jantar e buscar bebidas saindo de uma cozinha fechada é totalmente diferente desde o conceito. A visita sentada na sala e você servindo, mesmo que conte com ajuda profissional. Na cozinha integrada você recebe a visita - abre o espaço da sua casa para compartilhar com seus amigos. Diferente de servir, mesmo que você seja do tipo que não goste que seus amigos acessem a sua geladeira. Só o fato de você estar no mesmo espaço já demonstra outra relação com eles.
Uma preocupação recorrente, obviamente, é a disseminação dos odores da cozinha para o resto da casa. Na maioria das vezes este aspecto pode ser solucionado facilmente com a instalação de uma coifa eficiente no projeto.


Outra coisa importante que deve ser levada em conta é o tipo de alimentação da família. Há os que têm o hábito de preparar frituras com freqüência, muitas vezes diária. Para estas famílias eu não indico a integração dos ambientes, mesmo contando com equipamentos eficientes de exaustão.  Sou mais inclinada a indicar hábitos mais saudáveis de alimentação!
Há quem tenha se arrependido de integrar a cozinha? Claro que sim. Depois de modificada não temos mais a possibilidade de “interditar” a cozinha fechando a porta e sentar na sala arrumadinha para relaxar... Mesmo se tiver uma empregada o tempo todo disponível pode não ser agradável estar “no meio” da arrumação no momento relax na sala.
Mais do que adotar uma tendência e longe dos modismos, o questionamento necessário para se tomar a atitude acertada deve passar exatamente pela análise do que é mais importante para você e sua família. Isolada ou integrada, sua casa deve ter o seu jeito. Veja se você dá conta de modificar hábitos simples em troca de um conceito mais aberto de vivenciar o seu espaço. A sua casa deve refletir isso.
Neste caso, ou se exige menos de si próprios entendendo que o uso sempre gera certa bagunça (o que cá entre nós também pode ser controlado) e que não é o fim do mundo sentar na sala depois de um dia cansativo sem ficar olhando o copo que está sobre a pia, ou se abre mão do prazer de ter os ambientes integrados e mantemos o isolamento do restante da casa mesmo que seja simplesmente para pegar um copo de água “lá no outro setor”. 


Por fim, tudo isso tem que ser analisado de acordo com o tipo de moradia, as dimensões dos espaços, a maneira como os moradores se apropriam deles, o estilo de vida e os hábitos alimentares de cada família. E buscar a melhor solução para que você seja realmente feliz na sua casa!

Créditos das imagens:
- Disponível em <http://www.abril.com.br/noticia/estilo/no_296512.shtml>;
- Disponível em <http://www.cozinhasmodernas.net/cozinhas-americanas-na-moda/>;
- Disponível em <http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/04/classificadoes/imoveis/813612-menos-paredes-garante-mais-espaco-nas-residencias.html>

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