domingo, 10 de abril de 2011

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A identidade de cada um

Sem querer entrar no mérito do que é ou do que não é o belo, não há como apreciar nada sem que haja identificação. Cada pessoa traz suas próprias referências, desenhadas a partir das vivências pessoais ao longo da sua história. Como profissionais, nosso papel enquanto conhecedores de grande parte de possibilidades, é principalmente o de harmonizar estas possibilidades com a realidade e os desejos dos clientes. Antes de produzir um espaço padronizado como "belo", no enfoque estético (não menos importante!), é a harmonização com a realidade de cada um que traz a identificação pessoal com o espaço construído, em todos os níveis de intervenção.
O que eu acho mais delicioso no nosso trabalho, exatamente por ser desafiante, é trazer a história e a identidade do cliente para o projeto - o meu projeto desenvolvido para ele, tem a cara dele. Não a minha. O resultado é sempre gratificante!

Uma idéia puxa a outra:
O cliente queria um home theater separado da sala, por isso a primeira idéia dele de integrar o 4º quarto à sala foi descartada logo de início. Também não queria que tivesse porta, mas sem um limitador seria impossível controlar a luz. Cinema é cinema. Escurinho, imagem e som perfeitos, pipoca e tudo o que tem direito. E o cara GOSTA de cinema, coleciona DVDs dos filmes prediletos, centenas de cds e objetos que ganha de presente ou que ele mesmo trouxe de viagens ou que encontrou nos baús da infância no interior. Portanto, este era o espaço mais importante da reforma do ponto de vista afetivo e sensorial. E acabou abrigando mais do que na primeira idéia: virou uma releitura pessoal dos cinemas antigos do interior que habitam a sua memória, com nome e tudo: CINE BIG BANG. E com direito a cortina de veludo cor de beringela, super atual, que dá aconchego e melhora a qualidade do som. Também resolveu o controle da luz, lembra? Sem ter que escurecer a sala, até porque mesmo com toda a abertura envidraçada para a varanda ela não recebe tanta luz natural assim...



A placa de madeira, um dia ele mesmo definiu como um "elefante branco"... Carregava uma história querida  mas ficou muito tempo guardada, desde que o sócio um dia perguntou se ele queria ficar com ela. Claro que quis! Grande, ele pensava que não tivesse o que fazer com aquilo, mas também não queria dar um fim que fosse menos nobre: além da sua memória, a peça é bonita!


 
A placa entalhada em madeira pelo amigo "Césinha" D'Abronzo, ficava na fachada bar que teve em Piracicaba: o Big Bang Jazz Bar.  Restaurada, deu novo uso a um objeto que carrega lembranças de um tempo bom



No lado oposto, junto com os equipamentos, ficaram expostos os dvds mais acessados. Um armário acondiciona o restante, organizando as coisas que costumam gerar bagunça neste tipo de ambiente. Uma porta de correr ainda será instalada sob a bancada para proteger os vinis da poeira (sim, ele tem bastante!). No projeto, a tv também vai para a parede e caixas de som ainda serão instaladas no forro de gesso, levando a música para a outra sala também. Calma, no tempo dele.
A prateleira expõe recuerdos de viagens, mimos de amigos e lembranças de infância, como o rádio antigo de madeira (que funciona!). Parte da "casa viva", vai sendo reorganizada à medida em que ele vai encontrando os objetos nas caixas que estavam guardadas.


Na montagem

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